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A virada no atentado, um perfil de Pedro Figueiredo

  • Foto do escritor: Thiago Guimarães
    Thiago Guimarães
  • 20 de mai. de 2019
  • 3 min de leitura

Em agosto de 2017, treze pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas em um atentado terrorista quando uma van avançou sobre os pedestres em Barcelona, Espanha. “De repente a rua de pedestres virou um caos e, mais uma vez, o carro uma arma. A região de La Rambla, o enorme calçadão lotado de estrangeiros tornou-se o alvo do terror”, narrou Pedro Figueiredo em reportagem para o Jornal Nacional. Ele estava em Barcelona de férias com seu até então namorado na época, Erick Rianelli, e a Globo pediu para que fosse ao local do atentado fazer algumas imagens do ocorrido.

Em Barcelona, Pedro passou quatro dias fazendo cobertura, buscando o Primeiro Ministro, instituições, vítimas e parentes para entrevistas. Nisso, pode observar como a questão de nação em relação à comoção foi forte após o atentado terrorista, Pedro revela: “É como se as pessoas não atingidas tivesse sido atingidas também”. Ele tinha acabado de ser tornar repórter, começando a trabalhar na madrugada. Devido ao atentado fez sua primeira cobertura internacional, sua primeira entrada no Jornal Nacional e, logo em seguida, deixou de ser repórter da madrugada.

Anos antes, em 2009, Pedro entrou na Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal Do Rio de Janeiro (UFRJ) e foi da primeira turma de ciclo básico no período noturno. Pedro não conhecia nenhum jornalista, foi apenas na faculdade que realmente descobriu sobre a profissão. Ele recorda que desde os primeiros períodos começou a estagiar, fazer extensão e fez parte da equipe do Telejornal da UFRJ (TJUFRJ). Apenas no último ano ele passou no Estagiar da Globo, emissora que está até os dias atuais trabalhando como repórter. “Queria muito virar repórter”, disse Pedro. “Mas o caminho apesar de rápido teve muitas paradinhas pelo caminho.”

Em 2012, Pedro ainda na ECO conheceu Erick através de amigos em comum. Erick se formou também como Jornalista na UFRJ e atualmente é repórter da madrugada na Globo. Eles começaram a namorar ainda naquela época e, após seis anos juntos, se casaram ano passado. Sobre ser LGBT na televisão, ele comenta: “Foi tudo tratado naturalmente, como realmente é”. Ele também reconhece que tem um alcance que outras pessoas LGBTs não têm e tenta fazer jus à isso. Sempre que pode tenta pontuar nos telejornais e também através de seu Instagram demonstrando o amor pelo seu marido.

Sua cobertura mais recente e que lhe rendeu um maior reconhecimento pelo público foi as chuvas de Abril no Rio de Janeiro. Segundo o Alerta Rio, ao menos desde 1997, quando começou a medição pelo sistema, não tinha um volume de chuva acumulado em vinte e quatro horas tão grande quanto esse. A forte chuva causou deslizamentos, dez mortes e deixou o Rio em estado de crise. O bairro do Jardim Botânico, onde está localizada a sede de jornalismo do rio da Globo, ficou alagado. Pedro foi andando para a Rua Jardim Botânico com a equipe para fazer a cobertura. Ele entraria por cinco minutos ao vivo, mas acabou ficando durante todo o tempo destinado à Tela Quente e também participou do Jornal da Globo. Ele conta que no dia seguinte de manhã continuou a cobertura e por um descuido devido à correria acabou vestindo uma camiseta no mesmo estilo e mesma cor da que estava no dia anterior. “As pessoas acharam que eu não dormi, mas eu fui pra casa e dormi por duas horas e também tomei banho”, afirma Pedro.

Sobre o jornalismo nos dias atuais, Pedro entende que há uma crise nos métodos tradicionais de comunicação e não no jornalismo em si. Segundo ele, o rádio encontrou agora seu ponto de estabilidade no como fazer pela reformulação. Na televisão por exemplo, as pessoas leem uma notícia nas redes sociais, mas ligam a tv para saber mais da notícia, elas procuram uma cobertura do assunto na televisão. Em relação ao fato do jornalismo não estar em crise, Pedro justifica: “As pessoas nunca consumiram tanta informação, seja ela verdadeira ou falsa”.


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